Como capturar demanda e operar o delivery durante a crise

Os aplicativos de delivery cruzam a fronteira da alimentação e interferem em outras indústrias como o vestuário. O consumo, de forma geral, nunca mais será o mesmo

O mundo mudou, por hora as pessoas não estão na rua, não estão mais almoçando ou jantando em restaurantes, os shoppings e as praças de alimentação estão fechados. Os hábitos mudaram e o delivery é a melhor oportunidade para a sobrevivência dos restaurantes em geral. 

Para lidar com a crise, é preciso pensar nesses 3 itens:

  1. Pessoas: acima de tudo, você precisa saber como preservar os colaboradores e clientes;
  2. Caixa: como proteger o capital, a sobrevivência do negócio e se preparar para a retomada;
  3. Operação: como transformar um restaurante em delivery, já que é a melhor opção para deixar a chama acesa.

Como fazer da melhor maneira a mudança da operação para o delivery durante a crise 

Olhe para dentro do seu negócio: entenda como está seu negócio, quantos meses de caixa o restaurante tem, como estão os pagamentos e como é possível economizar e reduzir as despesas. Transparência é a chave, converse com seus funcionários e fornecedores abertamente e tente renegociar os pagamentos para que seu fornecedor também não quebre. 

Comece testando: venda somente por um canal nos primeiros dias, seja telefone ou uma plataforma online e saiba aprender rápido, avalie diariamente se está dando certo e se chegou a hora de alçar novos voos. 

Existem diversas possibilidades para fazer delivery:

  • Telefone: divulgue um canal de telefone específico para o delivery – mas, cuidado para não sobrecarregar a linha e cair no ocupado; ou ficar muito tempo sem atender.
  • Whatsapp: o aplicativo possui diversas funcionalidades que ajudam na divulgação, seja via lista de transmissão ou ativação individual da lista de contatos. A saber, o ideal é criar um relacionamento para que o cliente salve seu número, facilitando o próximo pedido. 
  • Plataformas de Delivery: neste momento, não precisa ser exclusivo somente de uma plataforma, você pode ser parceiro estratégico de todas, seja iFood, Rappi, UberEats ou qualquer outra que faça sentido para o seu negócio. 

Operar via delivery não é somente ter um canal de contato, se conectar com uma rede de entregadores ou se cadastrar na plataforma. É preciso fazer ajustes no cardápio, considerando o tempo de deslocamento, entender a melhor embalagem e o tamanho das porções. Dessa forma, não esqueça que, na plataforma, os preços podem ser mais caros para compensar os novos custos.

Tenha sempre em mente que as coisas podem dar errado. E, quando isso acontecer, assuma o erro e peça desculpas, não há problemas com isso e o seu cliente se sente prestigiado, seja pessoalmente ou publicamente em seus canais digitais. 

Marketing em tempos de delivery

A principal estratégia de marketing é como você se posiciona nas plataformas e quais  promoções pode fazer. As redes sociais são muito úteis neste momento, elas conseguem promover restaurantes que operam tanto em plataformas quanto via telefone ou whatsapp. 

Para se destacar nas plataformas, é preciso fazer promoções. Por isso, utilize os cupons, entenda quais são melhores para o seu ticket médio. Aproveite também os descontos de primeira compra para oferecer uma boa experiência para seu cliente. 

Giveback

Agora, as pessoas estão consumindo de negócios que pensam no coletivo e se preocupam com a saúde e bem estar dos seus clientes, fornecedores e colaboradores. Por isso, tenha o giveback sempre como foco. Não deixe comida sobrando no estoque, procure ONGs e hospitais para  fazer doações. 

Tenha total transparência em sua operação e mostre como os processos são feitos. Milhares de pessoas estão indo trabalhar para que milhões fiquem em casa. E os restaurantes fazem parte dessa cadeia, levando comida para quem está de quarentena. Portanto, tranquilize-os com suas medidas de segurança.

Aprendendo

Você deve repensar a estratégia sempre, e isso é muito saudável, seja uma vez por semana ou no começo de cada mês. Seja você dono de um restaurante ou de um grupo, faça reuniões periódicas com o time para avaliar como foi o dia anterior e levantar as lições aprendidas. 

Entenda o que está dando certo para cada um, escute suas dificuldades. E, também, conte boas histórias e engajá-los com positividade. 

Além disso, seja claro com seus fornecedores e busque chegar em um valor bom para que você consiga fazer promoções mais agressivas. 

Entenda que você irá aprender algo novo todos os dias. Esse período vai ser uma escola de como ser mais eficiente e se adaptar às mudanças, leve os aprendizados para o futuro do seu negócio, incorpore o delivery na sua operação e potencialize o seu restaurante.

Os aplicativos de delivery

O setor de home delivery faturou US$ 192 bilhões em 2018. É pouco, se comparado aos US$ 3 trilhões da indústria de food service (que reúne lanchonetes, bares e restaurantes). Mas a atividade (e o potencial de crescimento) dos apps de comida redesenham a paisagem das grandes cidades, transformam o modo como nos alimentamos e impactam uma vasta gama de negócios. Da Nestlé, a maior empresa de alimentação do planeta, com US$ 24,3 bilhões faturados em 2018, ao pipoqueiro que atende no Cristo Redentor — e passou a sofrer a concorrência de lanches que chegam via aplicativo. Dos supermercados e restaurantes à construção civil.

O alcance dos aplicativos é tão grande que o banco de investimentos suíço UBS lançou um documento, cujo título provoca: “A cozinha está morta?”. “Em um mundo com millennials famintos por tempo e desapegados de bens materiais, achamos que o crescimento da entrega online de comida é parte de uma megatendência que não deve ser ignorada”.